Quinta-feira, Julho 19, 2007

Duro de Matar

Duro de Matar (Die Hard, EUA, 1988 – 131 min.)

“40 Andares de Pura Aventura!”

John McClane (Bruce Willis) odeia viajar de avião. Mas, em busca da paz em casa, voa até Los Angeles para passar os feriados de natal com a esposa Holly (Bonnie Bedelia), alta executiva de uma empresa japonesa – que ele não apoiou na decisão de se mudar para a cidade californiana, apostando que ela não conseguiria se manter no novo cargo e voltaria correndo para ele. Mas, surpresa, surpresa, ela conseguiu e goza da total confiança do presidente, Joe Takagi (James Shigeta) e dos colegas. Como bem disse o motorista da limusine, Argyle (De’voreaux White), enviado para levá-lo até o imponente Nakatomi Plaza, palco da confraternização de fim-de-ano.
Lá, a cabeça dura de John causa uma nova briga com Holly, que se ausenta por alguns minutos para falar com os empregados. Nesse meio tempo, um bando de terroristas, liderado pelo refinado Hans Gruber (Alan Rickman) invade e toma conta do prédio, afirmando quererem a libertação de companheiros revolucionários em troca da vida dos reféns. Sozinho e sem nenhum apoio, John luta para salvar os reféns, sua esposa e de quebra impedir que o real objetivo do bando de Hans se concretize.
Filme que redefiniu o gênero no final dos anos 80, “Duro de Matar” é uma volta de montanha-russa divertida e recheada de ação. Apostando no até então mais conhecido pelo lado cômico Willis, recém-saído da série de TV “A Gata e o Rato” e numa abordagem mais pé-no-chão do protagonista (que sente medo, também sabe usar a cabeça e apanha mais do que boi na horta), a produção foi dirigida com imensa competência por John McTiernan, que lançou a pedra fundamental do novo herói e do novo tipo de filme de ação dos anos 90 e do século XXI.
O roteiro, dos especialistas Steven E. de Souza (repetindo a parceria de “48 Horas” e também responsável por pérolas do naipe de “Comando para Matar” e “O Sobrevivente”) e Jeb Stuart (que vinha do sucesso “48 Horas” e também assina o eletrizante “O Fugitivo”) mostra uma cena de ação ou correria a cada cinco minutos, mais ou menos, no limite do plausível, e temperadas com muito humor (nem sempre intencional, que fique claro), não dando ao espectador a menor chance de respirar e montado com brilho, deixando as transições fluidas e sem falhas e tendo efeitos especiais e visuais de primeira linha – as explosões são um caso à parte, de grudar na cadeira.
Ainda, não posso deixar de destacar a escolha feliz de elenco, principalmente o par de antagonistas. O classudo Rickman faz otimamente o contraponto com o mais debochado e “gente como a gente” Bruce Willis, com cenas antológicas como, por exemplo, o já clássico “Yi-pee-Ki-Yea, Motherfucker”, simplesmente uma das melhores frases do cinema recente. A outra jóia é a atuação bacana de William Atherton, repetindo seu tipo consagrado do seboso profissional, no papel do repórter Thornburg, que transpira arrogância e megalomania e passa por cima do que for para se promover como “o” jornalista, embora somente demonstre a falta de escrúpulos e total desrespeito com os personagens de sua grande reportagem; inclusive, ele, mesmo fora do prédio, é o principal responsável por complicar cada vez mais as coisas.
Agora, no lado riscado da moeda, o cuidado em desenvolver as cenas de ação, o herói e o vilão principal, ficou em segundo plano para os outros membros do bando (com exceção do expert em computação vivido por Clarence Gilyard Jr, que ainda tem alguns diálogos e ações mais inspirados), que não passam de escada para o herói. As ações dos rapazes estão a um passo da estupidez completa e conta com um amontoado de clichês, representados pelo indestrutível Karl, personagem do péssimo Alexander Godunov. E a polícia e o FBI então? Deus nos livre de sermos protegidos pelos panacas que dirigem o cerco ao prédio aqui, principalmente o tapado sub-comissário Dwayne, vivido por Paul Gleason e a dupla Johnson-Johnson do FBI (Robert Davi e Grand L. Bush), ambos um poço de pretensão e sem a menor idéia do que estão enfrentando de verdade.
Podemos enterrar esses defeitos, pois não prejudica, em nada, o resultado final: um filme intenso, movimentado, engraçado e que, como disse antes, fez escola. Nada foi o mesmo depois de “Duro de Matar”, que potencializou as novas idéias trazidas por “Máquina Mortífera” e levou-as a um novo patamar.
A produção abiscoitou quatro indicações ao Oscar 1989: Melhor Montagem, Melhor Som, Melhores Efeitos Sonoros e Melhores Efeitos Especiais.
Vejam sem medo, vale cada minuto.

Elenco: Bruce Willis (John McClane), Bonnie Bedelia (Holly Gennero McClane), Alan Rickman (Hans Gruber), Reginald Veljohnson (Sargento Al Powell), Alexander Godunov (Karl), William Atherton (Richard Thornburg), De’voreaux White (Argyle), Hart Bochner (Harry Ellis), Paul Gleason (Sub-Comissário de Polícia Dwayne Robinson), Robert Davi (Agente Especial Johnson – FBI), Grand L. Bush (Agente Johnson – FBI), Matt Landers (Capitão Mitchell), James Shigeta (Joseph Takagi), Dennis Hayden (Eddie), Clarence Gilyard Jr. (Theo), Bruno Doyon (Franco), Andreas Wisniewski (Tony), Lorenzo Caccialanza (Marco), Joey Plewa (Alexander), Al Leong (Uli), Gary Roberts (Heinrich), Hans Buhringer (Fritz), Wilhelm von Homburg (James), Gerard Bonn (Kristoff), David Ursin (Harvey Johnson – âncora), Mary Ellen Trainor (Gail Wallens – âncora), Bill Marcus (Engenheiro da Prefeitura), Rick Ducommun (Walt – Cia de Energia), Dustyn Taylor (Ginny), George Christy (Dr. Hasseldorf), Shelley Pogoda (Atendente da Emergência), Taylor Fry (Lucy McClane), Noah Land (John McClane Jr.), Betty Carvalho (Paulina), Tracy Reiner (Assistente de Thornburg), Bill Margolin (Produtor do Telejornal).

Direção: John McTiernan; Roteiro: Jeb Stuart e Steven E. De Souza, baseados no livro “Nada Dura Para Sempre”, de Roderick Thorpe; Produção: Lawrence Gordon e Joel Silver; Produtor Associado: Beau Marks; Produção Executiva: Charles Gordon; Trilha Sonora: Michael Kamen; Direção de Fotografia: Jan de Bont; Montagem: John F. Link e Frank J. Urioste; Seleção de Elenco: Jackie Burch; Design de Produção: Jackson De Govia; Direção de Arte: John R. Jensen; Cenografia: Philip Leonard; Figurinos: Marilyn Vance-Straker; Maquiagem: Paul Abascal e Scott H. Eddo; Som: Don J. Bassman, Kevin F. Cleary, Richard Overton e Richard Shorr; Efeitos Sonoros: Stephen Hunter Flick, Catherine Shorr, Richard Shorr e David E. Stone; Efeitos Especiais: Al Di Sarro e Gene Whiteman; Efeitos Visuais: Richard Edlund, Albert Cox, Michael Van Himbergen e Mike Chambers.

Classificação:
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