Croupier – A Vida Em Jogo (Croupier, ING / FRA / ALE / IRL, 1998 – 94 min.)
“Segure com força...Deixe ir com leveza.”
Jack Manfred (Clive Owen) é um escritor, tentando conseguir uma chance de ter seu livro, o primeiro, publicado. Mas, nada interessante aparece. Um dia, enquanto está batalhando com o teclado, seu pai, Jack (Nicholas Ball) liga e informa que um amigo dele está precisando de um crupiê em seu cassino. Está tudo arranjado, basta aparecer e conversar com o gerente, o Sr. Reynolds (Alexander Morton). Ele fica indeciso com a situação, pois nem mesmo sua namorada, Marion (Gina McKee, de “Um Lugar Chamado Notting Hill”) sabe que Jack cresceu entre jogadores, cartas e apostas, sabendo todos os truques e manhas – além de como o jogo destrói vidas.
Ao entrar no cassino, Jack relembra o que passou com os pais, o ambiente excitante e a adrenalina que sentia ao ver passar as cartas e apostas em suas mãos; e decide então aceitar o emprego. Assim, resolve jogar fora suas anotações e escrever um livro sobre sua vivência no carteado e as pessoas que encontra, além de se envolver em um plano criminoso apresentado por uma das jogadoras, Jani (Alex Kingston, que o público reconhecerá por sua participação na série de TV “ER – Plantão Médico”). O que Jack não esperava era ser afetado pelo mundo sórdido em que circula, o que acarreta conseqüências em todos os níveis de sua vida, inclusive em sua carreira de escritor.
Ótimo filme noir do inglês Mike Hodges, na produção que colocou o ator inglês Clive Owen definitivamente no mapa do cinema. Com uma câmera mais estática e próxima da estética teatral, o espectador funciona como o olhar por trás dos ombros do personagem principal, sempre na posição de observador e dando uma atmosfera enervante para todo o desenrolar da trama.
Jack Manfred é praticamente um observador também, não tomando atitudes que possam mudar o curso dos atos apresentados pelo roteiro; e, quando o faz, sempre traz conseqüências imprevisíveis e dolorosas para ele mesmo e para os que o cercam. Nisso, a atuação precisa de Owen engrandece o filme de um modo incrível. Seu personagem é ambíguo e aparentemente sem emoções; se esforçando para ser apenas parte da paisagem, Manfred sem querer acaba influenciando os acontecimentos e busca incessantemente controlar suas emoções. Em mãos de um intérprete menos dotado, o personagem ficaria extremamente falso, mas basta ver os olhos de Owen para sentir o turbilhão interno que grassa em Jack. Depois do sucesso mundial deste filme, Clive Owen consolidou sua carreira no cinema ao estrelar uma série de curtas para a BMW (em um ensaio para assumir o papel de James Bond, que acabou perdendo para Daniel Craig) e fazer, em seguida, “Rei Arthur” e “Sin City”.
O roteiro, muito bem escrito, utiliza com maestria a narração em off para definir as situações pelas quais o escritor passa e guarda algumas reviravoltas bastante inteligentes e tem, ainda por cima, diálogos secos e ferinos.
O restante do elenco está em bom nível, com destaque para Alexander Morton, como o gerente do cassino e a boa participação da bela Gina McKee, como a namorada de Manfred, Marion, que faz bem o contraponto com o jeito mais frio e calculista do protagonista.
Fica a sugestão a você, Leitor Constante, para descobrir este ótimo filme, normalmente esquecido na seção de catálogo das locadoras. Garanto que é muito melhor do que 70% dos lançamentos que aparecem nas prateleiras...
Elenco: Clive Owen (Jack Manfred), Nick Reding (Giles Cremorne), Alexander Morton (David Reynolds), Nicholas Ball (Jack Pai), Gina McKee (Marion Nell), Alex Kingston (Jani de Villiers), Paul Reynolds (Matt), Kate Hardie (Bella), Ozzie Yue (Sr. Tchai), Manfred Heiden (Guarda-Costas do Sr. Tchai), Joanna E. Drummond (Agnes), Tom Mannion (Ross), Arnold Zarom (Habib), Loretta Parnell (Lucy).
Diretor: Mike Hodges; Roteiro: Paul Mayersberg; Produção: Jonathan Cavendish, Christine Ruppert e Jake Lloyd; Co-produção: Marlow De Mardt, James Mitchell e Brigid Olen; Produtor Associado: Martin Wiebel; Produção Executiva: James Mitchell; Trilha Sonora: Simon Fisher-Turner; Diretor de Fotografia: Michael Garfath; Edição: Les Healey; Seleção de Elenco: Leo Davis; Design de Produção: Jon Bunker; Direção de Arte: Ian Reade-Hill, Alexander Scherer e Gernot Thöndel; Cenografia: Gillie Delap; Figurinos: Caroline Harris; Maquiagem: Horst Allert, Delia Mündelein e Amanda Warburton; Som: Mike Dowson e Mark Taylor.
“Segure com força...Deixe ir com leveza.”
Jack Manfred (Clive Owen) é um escritor, tentando conseguir uma chance de ter seu livro, o primeiro, publicado. Mas, nada interessante aparece. Um dia, enquanto está batalhando com o teclado, seu pai, Jack (Nicholas Ball) liga e informa que um amigo dele está precisando de um crupiê em seu cassino. Está tudo arranjado, basta aparecer e conversar com o gerente, o Sr. Reynolds (Alexander Morton). Ele fica indeciso com a situação, pois nem mesmo sua namorada, Marion (Gina McKee, de “Um Lugar Chamado Notting Hill”) sabe que Jack cresceu entre jogadores, cartas e apostas, sabendo todos os truques e manhas – além de como o jogo destrói vidas.
Ao entrar no cassino, Jack relembra o que passou com os pais, o ambiente excitante e a adrenalina que sentia ao ver passar as cartas e apostas em suas mãos; e decide então aceitar o emprego. Assim, resolve jogar fora suas anotações e escrever um livro sobre sua vivência no carteado e as pessoas que encontra, além de se envolver em um plano criminoso apresentado por uma das jogadoras, Jani (Alex Kingston, que o público reconhecerá por sua participação na série de TV “ER – Plantão Médico”). O que Jack não esperava era ser afetado pelo mundo sórdido em que circula, o que acarreta conseqüências em todos os níveis de sua vida, inclusive em sua carreira de escritor.
Ótimo filme noir do inglês Mike Hodges, na produção que colocou o ator inglês Clive Owen definitivamente no mapa do cinema. Com uma câmera mais estática e próxima da estética teatral, o espectador funciona como o olhar por trás dos ombros do personagem principal, sempre na posição de observador e dando uma atmosfera enervante para todo o desenrolar da trama.
Jack Manfred é praticamente um observador também, não tomando atitudes que possam mudar o curso dos atos apresentados pelo roteiro; e, quando o faz, sempre traz conseqüências imprevisíveis e dolorosas para ele mesmo e para os que o cercam. Nisso, a atuação precisa de Owen engrandece o filme de um modo incrível. Seu personagem é ambíguo e aparentemente sem emoções; se esforçando para ser apenas parte da paisagem, Manfred sem querer acaba influenciando os acontecimentos e busca incessantemente controlar suas emoções. Em mãos de um intérprete menos dotado, o personagem ficaria extremamente falso, mas basta ver os olhos de Owen para sentir o turbilhão interno que grassa em Jack. Depois do sucesso mundial deste filme, Clive Owen consolidou sua carreira no cinema ao estrelar uma série de curtas para a BMW (em um ensaio para assumir o papel de James Bond, que acabou perdendo para Daniel Craig) e fazer, em seguida, “Rei Arthur” e “Sin City”.
O roteiro, muito bem escrito, utiliza com maestria a narração em off para definir as situações pelas quais o escritor passa e guarda algumas reviravoltas bastante inteligentes e tem, ainda por cima, diálogos secos e ferinos.
O restante do elenco está em bom nível, com destaque para Alexander Morton, como o gerente do cassino e a boa participação da bela Gina McKee, como a namorada de Manfred, Marion, que faz bem o contraponto com o jeito mais frio e calculista do protagonista.
Fica a sugestão a você, Leitor Constante, para descobrir este ótimo filme, normalmente esquecido na seção de catálogo das locadoras. Garanto que é muito melhor do que 70% dos lançamentos que aparecem nas prateleiras...
Elenco: Clive Owen (Jack Manfred), Nick Reding (Giles Cremorne), Alexander Morton (David Reynolds), Nicholas Ball (Jack Pai), Gina McKee (Marion Nell), Alex Kingston (Jani de Villiers), Paul Reynolds (Matt), Kate Hardie (Bella), Ozzie Yue (Sr. Tchai), Manfred Heiden (Guarda-Costas do Sr. Tchai), Joanna E. Drummond (Agnes), Tom Mannion (Ross), Arnold Zarom (Habib), Loretta Parnell (Lucy).
Diretor: Mike Hodges; Roteiro: Paul Mayersberg; Produção: Jonathan Cavendish, Christine Ruppert e Jake Lloyd; Co-produção: Marlow De Mardt, James Mitchell e Brigid Olen; Produtor Associado: Martin Wiebel; Produção Executiva: James Mitchell; Trilha Sonora: Simon Fisher-Turner; Diretor de Fotografia: Michael Garfath; Edição: Les Healey; Seleção de Elenco: Leo Davis; Design de Produção: Jon Bunker; Direção de Arte: Ian Reade-Hill, Alexander Scherer e Gernot Thöndel; Cenografia: Gillie Delap; Figurinos: Caroline Harris; Maquiagem: Horst Allert, Delia Mündelein e Amanda Warburton; Som: Mike Dowson e Mark Taylor.
Classificação: %%%%
0 comentários:
Postar um comentário