sábado, abril 21, 2007

Desejo de Matar II

Desejo de Matar II (Death Wish II, EUA, 1982 – 95 min.)

“Primeiro sua esposa. Agora, sua filha. Está na hora de empatar o jogo!”

Alguns anos depois de perder sua esposa e ter sua filha com enormes problemas psicológicos por causa de um assalto, Paul Kersey (Charles Bronson) recuperou sua vida e está numa nova cidade, Los Angeles, onde trabalha em uma rádio e namora a apresentadora Geri Nichols (Jill Ireland, esposa de Bronson na vida real). Sua filha Carol (Robin Sherwood) está lentamente se recuperando e já pode inclusive sair acompanhada do pai, que a leva, junto com Geri, para passearem numa feira ao ar livre.
Infelizmente, essa tranqüilidade não vai durar; depois de ser abordado por um grupo de desordeiros (que tem a participação do Morpheus de “Matrix”, Laurence Fishburne) e ter sua carteira roubada, a casa de Paul se torna um alvo depois dele ter agredido um dos assaltantes. Sem demora, a gangue vai até a casa dele, enquanto Kersey vai deixar Geri em casa e invade o domicílio, estuprando a empregada Rosário e, quando Paul chega, o nocauteia e seqüestra Carol.
Sem informações sobre o paradeiro de sua filha e com a polícia impotente, Paul, mais uma vez, tira sua arma da aposentadoria e começa a perseguir os bandidos. Depois que Carol aparece morta, assassinada, ele sai ainda mais determinado a pegar a gangue, matando outros assaltantes no processo. Nesse meio tempo, o Inspetor Ochoa (Vincent Gardenia) vem de Nova York, a pedido das autoridades e o cerco vai se fechando sobre o vigilante, que não desiste de sua vingança.
Quase dez anos depois do primeiro filme, o personagem Paul Kersey foi “ressuscitado” pelos produtores Menahem Golan e Yoram Globus, donos da Cannon e que se especializaram em realizar filmes de ação e policiais de baixo orçamento na década de 80 e começo da de 90, tendo lançado, inclusive, Chuck Norris, Robert Ginty, Arnold Schwarzenegger e Jean Claude Van Damme como astros de ação e pancadaria. Trouxeram de volta, do filme original, o protagonista, o ator Charles Bronson (passando dos sessenta anos de idade) e o diretor Michael Winner, além de também inventarem um jeito de colocar Vincent Gardenia reprisando seu papel. Com o objetivo, óbvio, de capitalizarem mais um pouco em cima do grande sucesso que foi o primeiro “Desejo de Matar”. Isso seria algo para não apreciar? Claro que não.
Só que, como quase tudo que foi feito no gênero na década de 80, a produção peca por retirar qualquer discussão mais profunda sobre a motivação dos personagens e torna o protagonista em mais um cara durão e coisa e tal e que não leva desaforo para casa, em vez de mostrá-lo como um homem levado ao limite e que toma atitudes extremas por não saber de outra maneira de aliviar seu espírito das pressões e da tragédia. As reações dele após os ataques demonstram nada mais do que satisfação por ter matado os caras e nem liga mais para a confusão em sua vida pessoal que suas noites de vigilantismo causam, prejudicando a identificação; a namorada do protagonista, ainda por cima, não passa de um bonito bibelô que diz amém para todas as mentiras e nem dá pelota para tudo que o inspetor Ochoa lhe conta a respeito do passado do namorado.
Aproveitando o gancho, outro aspecto desfavorável é a participação do ator Vincent Gardenia; penso que seria muito improvável que um policial, depois de deixar escapar um assassino por pressões políticas, faria a mesma coisa por razões pessoais. Eu não gostaria nada de ser protegido por alguém que deixa de prender assassinos por que deu na telha e o personagem somente está na trama para dar mais um ponto de conexão com o original, sem muita função sem ser a conveniência dos produtores e sua parte na trama chega a ser risível.
A favor do filme, o diretor mais uma vez consegue imprimir uma boa tensão e monta bem as cenas de ação, com várias encenações até mesmo ultrajantes de estupros e assaltos, fazendo com que o espectador torça pelo improvável herói da trama, que agora é tão ou mais violento do que os bandidos que persegue. Outro ponto favorável é a trilha sonora, muito bem feita pelo astro do rock e guitarrista do Led Zeppelin Jimmy Page, bastante agitada e que ajuda nas seqüências de ação.
Fazendo um balanço, essa seqüência é assistível, sem grandes traumas e não passa vergonha diante da média das produções do gênero do período. Mas toma um “pedala, Robinho!” bonito diante do original.

Elenco: Charles Bronson (Paul Kersey), Jill Ireland (Geri Nichols), Vincent Gardenia (Inspetor Frank Ochoa), J.D. Cannon (Promotor de Justiça de Nova York), Anthony Franciosa (Herman Baldwin), Ben Frank (Tenente-inspetor Mankiewicz), Robin Sherwood (Carol Kersey), Silvana Gallardo (Rosario), Robert F. Lyons (Fred McKenzie), Michael Prince (Elliott Cass), Drew Snyder (Vice-Comissário Hawkins), Paul Lambert (Comissário de Polícia de Nova York), Thomas F. Duffy (Nirvana), Kevyn Major Howard (Stomper), Stuart K. Robinson (Jiver), Laurence Fishburne (Cutter), E. Lamont Johnson (Punkut), Paul Comi (Senador McLean), Frank Campanella (Juiz Neil A. Lake), Jim Begg (Turista), Melody Santangello (Esposa do Turista), Robert Snively (Dr. Gofeld), Steffen Zacharias (Dr. I. Clark), Don Moss (Motorista de Táxi), Charles Cyphers (Donald Kay), Peter Pan (Senhorio Chinês), David Daniels (Lang), Don Dubbins (Mike), James Galante (Tim Shaw), Buck Young (Charles Pearce).

Diretor: Michael Winner; Roteiro: David Engelbach; Produção: Menahem Golan e Yoram Globus; Produção Executiva: Hal Landers e Bobby Roberts; Trilha Sonora: Jimmy Page; Direção de Fotografia: Thomas Del Ruth e Richard H. Kline; Montagem: Julian Semilian e Michael Winner (como Arnold Crust); Seleção de Elenco: Joe Scully e Beth Voiku; Design de Produção: William Hiney; Cenografia: Rick Gentz; Maquiagem: Phil Rhodes e Vivienne Walker; Som: Hugh Strain; Efeitos Especiais: Ken Pepiot.

Classificação:
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